HISTÓRICO 

AA Coordenação de Movimentos Sociais (CMS) foi criada em abril de 2003, organizada por diversos movimentos tais como a MMM. MST, CUT, CMP, CONAM, movimentos de moradia, estudantil, de desempregados, pastorais e diversos sindicatos. É um espaço de convergência, de construção de unidade e de reflexão entre os mais diferentes movimentos e formas organizativas de nosso povo, o qual é de suma importância e necessário nessa conjuntura complexa de necessidade de mudanças sociais.

Por isso, houve consenso na construção desse espaço, que deve ter a seguinte natureza:

a) Ser um espaço de reflexão e entendimentos estratégicos, de convergência de todas as forças populares que querem mudanças sociais e uma oportunidade para intercambio de calendários, experiências organizativas e formas de luta.

b) Ser um espaço para debater como disputar a sociedade para as mudanças que o país precisa, na luta contra o neoliberalismo e a hegemonia da burguesia.

c) Ser um espaço para estimular o reascenso do movimento de massas no país.

d) Gerar unidade de ação entre os mais diferentes movimentos.

e) Construir ações de massa conjuntas, a nível nacional.

Do ponto de vista da Plataforma naquele momento avaliou-se que o que unificava esse conjunto era a preocupação com o alto nível de desemprego. Por isso o tema do emprego foi escolhido para se realizar uma campanha e a CMS foi lançada nacionalmente em setembro com um manifesto que traduzia os conteúdos de seu documento onde aborda a questão do emprego dentro de uma perspectiva ampla das mudanças necessárias para mudar os rumos do desenvolvimento do país sob o título: Soberania, Desenvolvimento, Trabalho, Distribuição de Renda e Inclusão Social.

Ao longo desse processo foram criadas coordenações em vários estados e realizou-se uma Plenária Nacional em fevereiro de 2004. As ações para enraizamento da CMS se deram também em atividades setoriais como o ENETERRA, encontro nacional organizado pelo movimento estudantil e pela juventude movimentos do MST e da MMM e realizaram-se encontros com intelectuais em vários estados, entre outras.

O trajeto da CMS foi de aprofundamento da unidade entre esses movimentos, passando da campanha pelo emprego a uma visão da importância de lutar para mudar a atual política econômica e que nossa tarefa é mais do que disputar os rumos de um governo e sim disputar um outro projeto para a sociedade brasileira e isso envolve a mudança de consciência de milhões em favor dessa proposta.

Em nível nacional a CMS é formada por movimentos nacionais, mas nos estados participam movimentos e grupos locais. Como um dos elementos principais é a construção de unidade, se organiza a partir de articulação horizontal e, portanto sem hierarquia por tipo ou forma de movimento e para isso há o compromisso de se evitar protagonismos ou disputas.

Não foram convidados partidos políticos, e as diferentes correntes ideológicas se expressam através das visões que há nos movimentos de massa. As coordenações das reuniões serão realizadas de forma colegiada, e rotativa, para que todas tenham oportunidade de participar. Em todos os debates se busca a pluralidade e o respeito à democracia e as decisões são tomadas por consenso.

Em situações que não há consenso, pode haver questões a serem encaminhadas por adesões individuais. Esse espaço unitário deve manter sua autonomia em relação a partidos, estado e governos. Na medida do possível esse processo pode promover encontros massivos de militância objetivando ampliar o debate de temas candentes. Um dos objetivos é aglutinar para desenvolver ações conjuntas de massa.

A partir de setembro de 2003 foi decidida uma Coordenação Operativa, que hoje é composta por cerca de
23 organizações nacionais, que funciona com uma reunião mensal e a CUT em nível nacional é a Secretaria.

Em abril de 2005 realizou-se a segunda Plenária Nacional e entende-se que a CMS enquanto organização deve continuar atuando na consolidação de seu enraizamento através de um amplo trabalho de base e o fortalecimento das bandeiras históricas dos movimentos sociais. A luta pela mudança da política econômica para que ela esteja voltada a garantir os direitos das maiorias passa pela garantia do emprego, da reforma agrária, soberania alimentar, valorização do salário mínimo, construção de moradias populares, infraestrutura urbana, saneamento, educação e saúde pública de qualidade. Mas também que esse modelo respeite o meio ambiente e tenha diretrizes de igualdade étnico racial e de gênero.