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Mara Feltes é secretária de Mulheres da CUT-RS e da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviço
Em 2010, comemora-se 100 anos de luta das mulheres pela igualdade no trabalho, na vida e na sociedade. Apesar da causa centenária, diariamente mulheres ainda precisam lutar e reivindicar pela igualdade de oportunidades, respeito, por uma jornada de trabalho digna e qualidade de vida. É inegável que durante estes anos, a capacidade de luta das mulheres se ampliou, ganhou corpo e garantiu melhores condições de vida, mais respeito e dignidade. No entanto, algumas desigualdades ainda persistem. Entre 1998 e 2008, a participação das mulheres no mercado de trabalho cresceu 42% no Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). No entanto, diferenças salariais e de inserção no mercado de trabalho relacionadas a gênero e etnia continuam significantes. Uma mulher ganha, por exemplo, de 70% a 80% do salário de um homem para realizar as mesmas atividades. Outros indicadores do mercado de trabalho mostram que as mulheres estão em condições menos favoráveis que a dos homens também em outras questões: como cargos de chefia, horas trabalhadas, etc. Ramo No comércio e serviços, base da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs/CUT) as mulheres ocupam quase 50% dos cargos. No comércio, por exemplo, as mulheres respondem por 40% dos postos de trabalho e no setor de serviços, 45%. Isoladamente, as domésticas, que integram nossa base, têm 90% de sua categoria composta por mulheres. Para as trabalhadoras do ramo, as condições de trabalho continuam difíceis com jornadas extensas, bancos de horas, baixos salários, assédio moral e desigualdade de oportunidades. Para minimizar estas desigualdades, a Contracs defende bandeiras específicas de gênero e incentiva que as mesmas sejam adotadas por homens e mulheres de todos os seus sindicatos e federações filiados. Entre as bandeiras permanentes, destaca-se a campanha pela creche para todas as crianças até cinco anos, filhos de trabalhadores (as) do comércio e serviços e a campanha “Direito não se reduz, se amplia”, pela equiparação de direitos. Além disso, a defesa do salário igual para o trabalho igual; o apoio à campanha de 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres; o incentivo à eliminação da segregação do trabalho feminino e a defesa pela autonomia das mulheres em relação ao aborto também são bandeiras das nossas categorias. A Contracs é contra a revista íntima e possui uma pauta específica para as mulheres do ramo que estimula a realização de atividades de formação para elas. As formações são específicas e servem para fornecer subsídio para que as dirigentes sindicais participem de mesas de negociação, garantam sua autonomia e possam difundir estes conhecimentos às outras companheiras. Entre as formações específicas debate-se, por exemplo, a Convenção nº 156 da OIT relativa à Igualdade de Oportunidades e de Tratamento para os Trabalhadores dos dois Sexos: Trabalhadores com Responsabilidades Familiares, que pretende instaurar a igualdade efetiva de oportunidades e tratamento para os trabalhadores de ambos os sexos. Com isso, acreditamos ser capazes de construir um mundo com melhores condições para as mulheres e homens com igualdade de oportunidades e eliminar todas as formas de discriminação e preconceitos ainda existentes na categoria. Afinal, todos estes debates e campanhas são feitos para garantir a autonomia das mulheres e sua participação no movimento sindical e no mundo do trabalho. 8 de março de 2010 Em 2010, a marcha tem “Igualdade no Trabalho” como mote e os CUTistas de todo o Brasil devem voltar às ruas na 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, que acontece de 8 a 18 de março, reafirmando a luta por ampliação dos direitos e avanço nas conquistas por uma sociedade mais justa e igualitária. Portanto, a ação terá como bandeiras: - creches públicas e de qualidade; - igualdade salarial entre homens e mulheres; - alteração do artigo 7º da Constituição Federal para que haja equiparação dos direitos das domésticas com os demais trabalhadores e trabalhadoras; - ratificação da Convenção 156 da OIT; - acesso das trabalhadoras rurais à terra, crédito e políticas públicas universais; - legalização do aborto; - maior participação da mulher na política; - fim da violência contra as mulheres. Conquistas e reivindicações Atuante e envolvida nas questões políticas, no movimento sindical, nas organizações não-governamentais e em outros diversos movimentos fundamentais para a sociedade, as mulheres hoje são parte ativa da sociedade. A Lei Maria da Penha é uma das recentes e importantes conquistas das mulheres, que visa o combate à violência contra a Mulher e merece ser lembrada. No entanto, continuamos lutando pelo fim do trabalho aos domingos, pela igualdade de oportunidades e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. A redução da jornada de trabalho sem a redução de salários é uma luta que precisamos defender para reduzir os terríveis impactos da tripla jornada sobre a mulher, que divide seu tempo e atenção com o trabalho, os cuidados com o lar e a família e a jornada de estudos. Reduzir a jornada de trabalho era uma necessidade há cem anos e mais uma vez é essencial tanto para os homens como para as mulheres e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A ampliação das conquistas depende de nossa luta. Vamos somar nossas forças. Juntos somos fortes e garantiremos novas e importantes conquistas. |